Fernando A Freire

Amar a dois sobre todas as coisas

Textos

SONHEI, JURO QUE SONHEI ! . . .(07)


Não é que eu sonhei de novo!...

No primeiro texto da série "Sonhei, juro que sonhei !" lembrei a visita que a Presidente Dilma havia feito ao Papa Francisco, no Vaticano. Naquela oportunidade, presenteou-o com uma camisa de nossa seleção (nº 10), autografada por Pelé, e uma réplica da bola da Copa.  Também o convidou para assistir aos jogos em nosso País. Ela só precisava saber que o Sumo Pontífice continua argentino.

Papa Francisco, com certeza, indicará um dignatário eclesiástico para representá-lo, a não ser que ele queira, mais uma vez, surpreender o mundo. 

Foi aí que eu sonhei, novamente vivenciando a Copa.  No sonho, o simpático Papa - para ser seu mandatário no evento esportivo, levando aos estádios a bênção papal - escolheu um prelado, seu ídolo na juventude, que havia jogado na seleção da Argentina.  Ele era baixinho, gordinho, chato e, só vez por outra, engraçado. Seu nome?  Ah, sim!...

Cardeal DIEGO Armando MARADONA.

Bela escolha!...  Dizer o quê, da decisão franciscana?!...

Começaram os jogos. Oitavas de final. Seleções favoritas: Brasil, Alemanha, Espanha, Argentina, Uruguai..., mais ou menos nessa ordem.  Ih, que sonho, hein!  Pra minha surpresa (!) classificaram-se para a final as seleções do Brasil e do Uruguai.  Upa, de novo!...

Haja nervosismo, superstição, agouro...  Haja choro antecipado por parte daqueles que vivenciaram a Copa de 1950 (quando perdemos por 2 x 1 exatamente para os nossos "hermanos" uruguaios).

Tudo bem!  Por parte de alguns velhinhos, gatos pingados, ainda havia uma expectativa de otimismo:
"Desta vez a gente vai deitar e rolar em cima deles"...

Parece que a coisa não foi bem assim!

Jogo começa.  Dezenove horas de uma sexta-feira, 13.

Logo numa "Sexta-feira, 13" ! ! ! . . .  

Para o nosso alívio, termina o primeiro tempo:
1 x 0 Brasil.

Segundo tempo.  Para o nosso desalento, o Uruguai empata o jogo

Mais trinta minutos de prorrogação.  Se, mesmo assim, o jogo continuar empatado, a decisão vai para os pênaltis.  Ufa!  Não temos Neymar, nem Fred, nem Marcelo...  Uai!...  Que é dos nossos craques?

A bola tá rolando...  Vamos jogar!... - Gritava a torcida, medrosa e enfurecida.

Jogados já treze minutos do segundo tempo da prorrogação (faltavam só dois minutos para o jogo acabar).  O juiz apita um escanteio contra o Brasil.  Por parte dos jogadores, muita atenção.  Por parte dos torcedores brasileiros, muita tensão. 

Suarez vai bater o escanteio.  Só espera um minutinho, em sinal de respeito ao representante do Sumo Pontífice.  É que, por estar próximo o final da competição, o cardeal Maradona vinha percorrendo toda a linha perimetral do gramado, distribuindo bênçãos para os jogadores e para a multidão ali presente, ao tempo em que agradecia a Deus pela pacificidade do evento.

Aí é batido o escanteio, enquanto o prelado se dirige à meta defendida pelo goleiro brasileiro, Júlio César. 

Nossa!...

Confusão na pequena área do Brasil.  Alguém chuta, alguém defende.  Duas magníficas defesas de Júlio César...  Bola na trave...  O rebote da zaga não é aproveitado.  A bola, alta, retorna em direção à cabeça de Cavani, atacante uruguaio.  Cavani cabeceia de qualquer jeito e - chega de sofrimento! - a bola não toma o caminho do gol.

Ora, gente, craque é craque!  "A bola sempre procura os pés dos verdadeiros craques" - dizem os entendidos de futebol.  Os pés ou a batina - dizem os entendidos em coisas divinas.

Pois - pasmem - foi isso (o óbvio) que aconteceu:

Como que desligado do jogo, o cardeal Maradona se aproxima da trave direita do gol de Júlio César, abençoando-o, da mesma forma como, há pouco, abençoara o goleiro adversário.  Mão direita, erguida, gesticulando uma cruz - exatamente como o fazem os maestros e os dignos abençoantes.  Ao fazer o cruzamento horizontal, da direita para a esquerda, sua mão toca, levemente, na bola que Cavani havia cabeceado.  E...  se desvia em direção ao gol.

Gol validado.  Está lá na súmula do juiz, em 13/07/2014:

Uruguai, novamente, 2 x  1 Brasil.

Mais uma vez, a mão de Deus, decide uma Copa.  Oremus!

Alguém ousa ainda dizer que "Deus é brasileiro"?!...

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Mesmo assim, caro recantista torcedor, uma FELIZ COPA pra você, num clima de muita PAZ (e - quem sabe! - bençãos do Cardeal Dieguito).
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Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 28/05/2014
Alterado em 30/05/2014
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