Fernando A Freire

Amar a dois sobre todas as coisas

Textos


SOU TANTO FAZ: ORA MENOS, ORA MAIS
 
04/01/2018 10:01
Somos agregados,
no entanto,
preferimo-nos separados.

Somos todos iguais,
no entanto,
me queres menos e eu te quero mais.

Somos todos solidários,
no entanto,
ora sou bom companheiro,
ora lobo solitário.

Com meus olhos não me vejo,
no entanto,
quando acordo,
só os abro pros meus desejos.

Minha língua, sem querer,
diz tudo o que eu gostaria
que você, calada, ouvisse,
no entanto,
me irritaria,
se você dissesse o que eu já disse.

Meus ouvidos escutam
coros, choros, agouros e desaforos,
no entanto,
nem me comovo,
escutaria tudo de novo.

Meu coração,
ora é de pedra, ora é mole,
ora é sístole, ora é diástole,
pedindo perdão ou reconciliação,
mas eu só sei dizer "não".

Minhas pernas fortes,
quais metálico compasso,
traçam os pontos equidistantes
do meu meio circundante,
no entanto,
passo a passo, vem o cansaço,
e se revelam cambaleantes.

Meus braços, quando quero,
abarcam todo um hemisfério,
no entanto,
quando menos espero,
só é a mim que abraçam:
atitude de "João sem braço"
... ... ...
Fomos feitos assim:
ora "não", ora "sim",
ora "bem", ora "mal",
ora "pedra", ora "pau"...
Tiro por mim,
que me acho sobretudo doce,
no entanto,
pra você:
"o que era doce, acabou-se!"
Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 07/01/2018
Alterado em 08/01/2018


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras