Fernando A Freire

Amar a dois sobre todas as coisas

Textos

O ESTOPIM FOI A FAIXA DA FAVELA DA ROCINHA


Desde o início de 2017, o Brasil tem um Plano Nacional de Segurança Pública.  Entre seus objetivos (os mesmos do Plano de agora, costurado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública junto com as Forças Armadas):  redução de homicídios;  combate integrado à criminalidade organizada internacional (tráfego de armas e de drogas); combate aos crimes organizados dentro e fora dos presídios;  racionalização e modernização do sistema penitenciário;  ampliação do efetivo da Força Nacional para atuar conjuntamente com as polícias Federal, Rodoviária e Estadual;  fiscalização em rodovias e principais rotas viárias brasileiras;  formação de núcleos de inteligência reunindo forças policiais e de investigação em todos os estados brasileiros, inclusive o Distrito Federal.

O Plano falhou?  Em minha opinião, acho que não. Trata-se de (e assim considero) um trabalho de formiguinhas.  Faltaram recursos?

Em diversas situações, a maioria dos brasileiros percebeu que, bem ou mal, funcionou.  Mas, só começou e agora não funciona mais? Vai ser substituído?  Ficam essas perguntas no ar.

A raíz, no momento, é o Rio de Janeiro.  Acho que se relaxou ou faltou um pouco de eficiência no período carnavalesco, mesmo se prevendo, como há muitos anos, a invasão da cidade por turistas vindos do mundo civilizado. 

Um novo Plano de Segurança Pública Nacional nem estava em estudo e deverá ser aprovado e implementado, via decreto, já a partir da próxima semana, evidentemente, mais criterioso, rigoroso e mais furioso.

Aí, o brasileiro se pergunta, ou conjectura:

- teria sido por conta das mensagens e críticas de caráter social trazidas para a Marquês da Sapucaí pela Escola Paraíso do Tucuiuvi, comparando nossa escravidão histórica com a moderna escravidão social?...

NÃO !

- teria sido porque o seu samba-enredo cantado por todo o público da Avenida, inegavelmente vai se transformar num Hino Nacional?

TAMBÉM  NÃO !

- teria sido por conta das críticas ao prefeito e ao ex-governador da cidade, misturadas às mazelas decorrentes da corrupção desenfreada em todo Estado (nenhuma crítica se fez aos corruptores), inclusive o empobrecimento extremo da população, mostradas pela Beija-Flor?

CLARO QUE NÃO !

Graças a Deus, essa Escola mudou o seu tom elitizado.  Quem se lembra da famosa frase de Joãozinho Trinta, na primeira vez em que a Beija-Flor se sagrou campeã exibindo muito luxo e riqueza?

"...QUEM GOSTA DE LIXO É INTELECTUAL".

Agora ganhou o "lixo".

Que falem os intelectuais, sociólogos, historiadores, assistentes sociais, professores e analistas sinceros da política nacional (até descarto os futurologistas).  Na minha humilde visão, o governo raciocina rápido e se arma, EM CARÁTER DE URGÊNCIA, para tapar os furos da peneira de uma indomável e incontrolável convulsão social que se avizinha.  O Carnaval foi apenas um tênue sinal.
. . .
- A faixa amostrada  na  entrada  da  Favela da Rocinha, com uma mensagem coletiva de desrespeito a uma decisão político-judicial, em pleno Carnaval, causou um impacto na visão do "governo", com absoluta certeza, e amedronta até a mim:

S I M ! . . .

Em suma:  ninguém me convence de que as Forças Armadas - cujo comando está autorizado pelo "presidente"  a proceder a seu bel-prazer - estão nas ruas do Rio de Janeiro apenas para proteger os cidadãos. 

 
Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 16/02/2018
Alterado em 17/02/2018


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