Fernando A Freire

Amar a dois sobre todas as coisas

Textos

GENOCÍDIO


Tinha que ser um judeu!...
Deve-se a Raphael Lemkin, judeu polonês,  jurista e conselheiro do Departamento de Guerra dos Estados Unidos, a criação, em 1944, do termo "genocídio".
Ele visava dar nome ao extermínio sistemático (total ou parcial) de seres humanos pertencentes a determinados grupos étnicos ou classes sociais julgados incompatíveis com o padrão estabelecido por um grupo dominante. Acontecia, então, sob o regime nazista, o maior de todos os "genocídios" - o holocausto - contra os judeus, romanos, sérvios, gays, ciganos, comunistas ou qualquer vivente que não se ajustasse aos padrões arianos ou ideologia racista traçados por um mito chamado Hitler.
Hitler teve como fonte de inspiração os genocidas que o antecederam. 
Por exemplo:
- a perseguição às minorias feita pelo governo turco, durante e após a Primeira Guerra Mundial - de 1915 até 1923, quando ocorreu a dissolução do Império Otomano; o novo governo obrigou 1,5 milhão de armênios e 750 mil assírios a caminharem, a pé, até a Síria, lugar onde os que conseguiam chegar morriam de inanição;

- a escravização de milhares de negros havida no Congo Belga, por determinação do rei belga, Leopoldo II (década de 1890), para trabalhos forçados na extração da borracha;   qualquer sinal de debilidade física ou reação à prisão (o que era crescente) justificava a condenação à morte.

Hitler - sei que não falo para leigos - admirava as ideias e mecanismos que, sob o jugo de um  Estado-nação, visassem a imposição de politicas de diminuição e "aprimoramento" da raça humana.

Outros genocidas, da Segunda Guerra Mundial até nossos dias, tiveram (infelizmente, ainda têm) Hitler como seu ponto cardial.
Cito os que mais se destacaram:
- em 1970, a Índia se separa do Paquistão;
no ano seguinte, a porção leste do Paquistão luta para torná-la um Estado independente - Bangladesh;
o governo paquistanês reage e mata quase três milhões de opositores, separatistas e seus seguidores.

- em 1975/79, no Camboja, o Khmer Vermelho (Pol Pot) consegue reduzir 20% da população do seu país, sacrificando-a por razões étnicas, militares e religiosas; tinha como alvo principal, professores e jornalistas, budistas ou muçulmanos, que ficavam detidos em campos de concentração, sem água e sem alimento, até morrerem de fome.

. em 1966/69, a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung, na China, culminou com a morte de 20 a 40 milhões de chineses, a maioria de fome, trazidos do campo para trabalhar na produção de ferro e aço para a incipiente indústria chinesa
valeram a truculência de Mao e sua violência com mãos de ferro;
por conta disso e pelo fracasso do seu  plano econômico - O Grande Salto -, sua facção dentro do Partido Comunista (ele também lutava pelo velho stalinismo) fracassou, sendo ele substituído por Deng Xiaoping, líder de uma facção moderada;  Mao, todavia, vangloriava-se de ter realizado o seu desejo malévolo.

Vê-se que os maus se equivalem. Porque querem impor os seus planos, suas vontades e suas verdades, não exitam em eliminar ou provocar o extermínio em massa de seres humanos.
Os maus se espelham nos maus e o mal se espalha.  Assim:
- admiram e participam de regimes ditatoriais;
- enaltecem os torturadores, em quem se espelham;
- criticam e abominam os Direitos Humanos;
- alimentam, de forma negacionista, pandemias que destroem, em curto prazo, milhões de habitantes do planeta, especialmente os do país que dominam;
- desprezam quaisquer medidas que objetivem o controle da temperatura ambiental no mundo, até estimulando queimadas irresponsáveis;
- perseguem professores, artistas e jornalistas, considerando-os seus inimigos, porque pensam e porque criticam suas ideias estúpidas contra a democracia...

Os genocidas - todos - têm atitudes parecidas.  
Eles estão no meio de nós, clamando e explorando, evangelicamente,  o santo nome de Deus, para justificar - ou abençoar - suas atrocidades.
Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 19/11/2020
Alterado em 21/11/2020


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