

ALGODÃO DOCE OU SORVETE EM CASQUINHA?
Pardais e sabiás, em inocentes charabiás*, voaram juntos rumo a uma nuvem passageira que o vento assoprava pertinho do céu. Lá, lambuzaram-se, como se mergulhassem na suavidade de um amplo favo de mel. Porém, parecia ter sabores desiguais a nuvenzinha. Para as sabiás, um gostinho de algodão doce; para os pardais, delicioso sorvete em casquinha. Nesse meio tempo, enquanto os passarinhos manjavam e se fartavam no celestial banquete de algodão doce misturado com sorvete, a nuvenzinha anfitriã foi se desfazendo e se dissolvendo naquela manhã, pouquinho a pouquinho, tremendo e se encolhendo... É que, num repente, uma acinzentada tempestade se agigantava e dela se aproximava, cheia de apetite. Ela, pequeninha, seria arrastada e consumida. Fez, então, cautelosamente, sua despedida, ao perceber que a cada gole ela se dissolvia. Assim, hábil voadora, acolhedora e doadora, foi se encolhendo, se encolhendo... até que num belo passarinho transformou-se. Aí, "Acabou-se o que era doce".
(fernandoafreire.net)
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Inspirado no texto: Passageira... De: Marise Castro ___________________________________________ (*) Charabiá: linguagem confusa e difícil de entender. Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 27/12/2024
Alterado em 21/12/2025 Comentários
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