Fernando A Freire

Amar a dois sobre todas as coisas

Textos

 

ALGODÃO DOCE OU SORVETE EM CASQUINHA?

 

 

Pardais e sabiás, em inocentes charabiás*,

voaram juntos rumo a uma nuvem passageira

que o vento assoprava pertinho do céu.

Lá, lambuzaram-se, como se mergulhassem

na suavidade de um amplo favo de mel.

Porém,

parecia ter sabores desiguais a nuvenzinha.

Para as sabiás, um gostinho de algodão doce;

para os pardais, delicioso sorvete em casquinha.

Nesse meio tempo,

enquanto os passarinhos manjavam

e se fartavam no celestial banquete

de algodão doce misturado com sorvete,

a nuvenzinha anfitriã foi se desfazendo

e se dissolvendo naquela manhã,

pouquinho a pouquinho,

tremendo e se encolhendo...

É que, num repente,

uma acinzentada tempestade se agigantava

e dela se aproximava, cheia de apetite.

Ela, pequeninha, seria arrastada e consumida.

Fez, então, cautelosamente, sua despedida,

ao perceber que a cada gole ela se dissolvia.

Assim,

hábil voadora, acolhedora e doadora,

foi se encolhendo, se encolhendo...

até que num belo passarinho transformou-se.

Aí,

"Acabou-se o que era doce".

 

(fernandoafreire.net)

 

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Inspirado no texto: Passageira...

De: Marise Castro

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(*) Charabiá:  linguagem confusa e difícil de entender.

Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 27/12/2024
Alterado em 21/12/2025


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