

A EMOÇÃO DE TE TOCAR EM PLENA TEMPESTADE
Emoção é um sereno balançar que se dá no parque da afetividade. Não pode se restringir apenas àquele toque rápido de uma abelha na flor. A flor reage, insaciada. Quer e sabe que tem muito mais a dar em energia e doçura. Coisa própria das fêmeas. Não voa, mas conseguirá, com sua fragrância sedutora, atrair de volta aquele pequeno zangão, coletor do seu pólen e do seu néctar. É exatamente igual ao apelo de um fio desencapado que, de repente, descobre que um segundo fio - igualmente desnudado e de impulso oposto -, se aproxima dele, para um instante, observa-o, mas depois se distancia. Ambos se veem sozinhos e, assim sós, sentem-se incapazes de produzir um mínimo de impulso para alcançar e propiciar o bem tão desejado pelo outro fio, ao menos o estar juntos. Imaginam, ou sonham, achegar-se com o tempo, quiçá no revolver de uma eventual tempestade, e... Tempestade?!... Ah, há ainda uma esperança!... Quem sabe, o vento alcoviteiro, hein!?... Aí, na tarde fria de um certo dia, o vento assopra suavemente e acaricia uma das pernas desses fios enamorados. Por certo, a perna femínea, não tanto por ser grossa e bem delineada, mas pelo seu peso emocional, ou sentimental. Uma premissa válida, pois que, nesse átimo, ouve-se, com a regência do vento, um doce sibilar como resposta, ou um chamado sedutor: "Quem me espera sempre alcança - aqui estou"... A aventura - suscitada pela brisa que a ventania pouco a pouco desfaz -, cresce, avoluma-se e se transmuda em tempestade. Como esperançado, os dois fios impulsionados pelo vento se encontram, com a desculpa de que buscam proteção, assustados, por certo, com o intenso ribombar dos trovões. Molhados, olham-se de perto pela primeira vez. "Posso enxugar você?" - Nada se ouviu, devido ao forte som de mais um choque elétrico provindo das nuvens, mas o enxugamento se dá. A princípio, medo e timidez projetados em forma de faíscas, como se se experimentassem nos primeiros leves toques. Depois - aparentando ainda proteger-se da tempestade -, aceitam-se, se abraçam e se aconchegam; se enrolam um no outro e até se interpenetram, como se vivessem um vigoroso, salutar, mui gostoso, insuperável e inseparável "Amar a dois sobre todas as coisas". Dessa simbiose meteorológica - ou desse mútuo comensalismo -, resulta uma natural e impactante explosão. Mais um Genésico fiat lux. Enfim, o clarão da vida, de que o ambiente outrora sem brilho sequer supunha ver. É a reprodução do "ser" iniciada por um leve toque sedutor, que provoca o choque; que alimenta a espera; que experimenta a dor intensa de uma explosão; que a tudo alumia e compensa com o ver nascer um outro "ser", naturalmente lubrificados por um ingrediente mágico e infalível que os racionais rotulam de amor. Sem amor não há luz, nem vida, somente dor, somente uma tempestade permanente. Somos luz, somos vida, somos esse amor indispensável à existência, aquilo que a Natureza quer que experimentemos e que tanto ansiamos ser. Vê!... Somos abelhas e zangões; somos flores; somos pétalas, somos mel, somos néctar... Somos fios dotados e atraídos por impulsos positivo ou negativo; somos resultante dessa junção energizante; derivamos da conquista, do amor, do toque e do prazer inebriante de dois amantes que se entrelaçam. Amemo-nos, pois. Amém! Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 10/01/2026
Alterado em 22/01/2026 Comentários
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