

CARNAVAL É ESSENCIAL
Já somos mais de oito bilhões de habitantes no planeta Terra. Nos anos cinquenta seremos cerca de 10 bilhões, se estiverem certas as estimativas da ONU. Onde vai se enfiar tanta gente, minha gente?!... Certamente, é por isso que a extrema-direita tem como principal objetivo reduzir para 1/3, pelo menos, a densidade demográfica mundial, armando as pessoas, estimulando o ódio e pregando, disfarçadamente, o "Matai-vos uns aos outros". Nunca me dei conta da montanha humana que se formaria se reuníssemos, num mesmo tempo e num mesmo lugar, todos os viventes de nossa morada comum. Com absoluta certeza, minha vista não alcançaria o topo da montanha, mesmo utilizando os instrumentos óticos mais sofisticados que existem. Às vezes, quando observo - pela TV - enormes passeatas ou marchas, principalmente pelas ruas das grandes cidades, penso que já é o máximo atingido e que o pico de participantes está sendo ultrapassado... Aí, chega o Carnaval! Ruas apinhadas viram pistas de dança. Sinais de trânsito, pra quê?... Povo pulando e ocupando o lugar dos veículos, dos passantes, dos sem teto e dos moradores de rua. Todos se igualam, nas cidades e nas praias sobrelotadas. Está ali, rebolando de alegria - nas calçadas, nas praças e no asfalto - a gente que não precisou ser convidada por nenhum pastor, nenhum vigário, nenhum político ou candidato através das redes sociais. Quando a pessoa tem liberdade e sua escolha é se atirar no burburinho das ruas, seja quem for, claro que ela se sente mais dona de si, senhora de sua personalidade, mais empática, disponível, mais solta... Parece que todas decidiram ser loucas ao mesmo tempo. Vai-Vai... Vai com qualquer roupa, vai com a roupa que não lhe cabe mais, vai, em último caso, até sem roupa, que é para não ficar diferente dos irracionais. Afinal, todas essas pessoas estão jogadas num caldeirão que se chama Carnaval: lá dentro uma gostosa mistura do racional com o irracional. Ariano Suassuna nos ajuda nesse raciocínio: "Eu acho mais bonito um cortador de cana que se veste de guerreiro, de caboclo de lança, para dançar no maracatu, do que uma pessoa de classe média cujo sonho é ir para a Disneylândia". Na maioria dos casos, ninguém, fora o cortador de cana, tinha lugar marcado para bem desfrutar desses três dias de liberdade autêntica. A grande parte dos carnavalescos, nos preparativos para entrar no caldeirão da folia, é atraída por uma solitária batida na lata, que logo se transforma em batida solidária, pois que o ânimo de um carnavalesco atrai geometricamente mais dez ou vinte outros que se alinham com seus passos e seus valores. Num repente, a rede se expande e cem mil foliões se congregam num mágico lapso de tempo em torno de uma lata que, com certeza, há de se transformar num enorme caldeirão. Todos satisfazendo as suas vontades, sem sequer imaginar o sacrifício físico de pular três dias seguidos, mas ninguém está ligando para as dores decorrentes. O que mais vale é a fruição de sua liberdade psicológica, despregada de impulsos, medo, ódio ou qualquer condicionamento interno ou externo. Tudo o que fizer deverá ser encarado como investimento nos seus três dias de êxtase e felicidade plena. Bem que eu diria: Democracia plena. Carnaval é a imagem fiel de uma democracia, em especial quando todos se irmanam. E o nosso Carnaval deste ano de 2026 se mostrou mais alegre, mais animado, mais participativo do que os anteriores. Um termômetro para informar que, na verdade, o povo está mais feliz. Assim sendo, para que todos estejam bem e em harmonia, justo na Democracia, o nosso Carnaval é essencial.
Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 17/02/2026
Alterado em 18/02/2026 Comentários
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