

TRUMP E O DISCURSO SOBRE O ESTADO DA UNIÃO
Durou até 01H30 da manhã (25/02/2026) o muito esperado Discurso Sobre o Estado da União, proferido pelo presidente Trump. Cansei de só ouvir calúnias, lorotas e falsidades. Trump levou ao palco do seu circo, três famílias que tiveram algum membro vitimado por imigrantes. Quer, com isso, justificar a sua frequente acusação de que "Todo imigrante é um assassino, portanto, os imigrantes, em especial os latinos, devem ser banidos dos Estados Unidos". Essa narrativa não traz um pingo de verdade. Trump, além de racista, está totalmente alinhado com a extrema-direita internacional. Ele prega o ódio, sinalizando que o norte-americano deve tornar-se intolerante para com os latinos, cuja maioria é atraída pela oferta de empregos chulos, principalmente de prestadores de serviços domésticos nos lares estadunidenses. Assim o fez Hitler, na Alemanha nazista, acusando os judeus de assassinos, não humanos e donos de todo o dinheiro do planeta. Culminou com o massacre de seis milhões de judeus, comunistas e outras minorias inocentes nos campos de concentração. Em termos de massacre nazista, nada mudou, os argumentos são idênticos e os adeptos proliferam. Mudou somente a origem e a nacionalidade das vítimas. Quanto ao sequestro do ditador Maduro, na Venezuela, Trump informou que a guarda que protegia o "traficante de drogas" estava equipada com armamento de tecnologia russa e chinesa, também uma invenção para que os norte-americanos continuem alimentando o mesmo preconceito contra as potências asiática e transcontinental. A China, por exemplo, que já superou os EUA, econômica e tecnologicamente, não se intromete em guerras - tampouco provoca-as - desde o ano de 1978. Por que estaria transportando armamento para a Venezuela? Sua única parceria com a Venezuela visava apenas a compra de petróleo (que era pago em yuan), o que Trump embargou como se fosse o imperador do mundo. Os dados da economia bem que Trump deveria ter mostrado em tela e em gráficos, o que seria mais didático e bem mais elegante. Mas não foi assim. Ele não citou nenhum número, apenas disse que a economia está melhor e que o desemprego caiu, o que não é verdade. A taxa de desemprego, embora esteja em 2,4%, vem oscilando desde o começo do seu governo. Ainda não se viu, na questão do desemprego, o esperado efeito do tarifaço: mais de 200 bilhões de dólares arrecadados no mundo, o que tem contribuído, até agora, apenas para o equilíbrio fiscal. Quanto às guerras que ele encerrou, aí é que se verifica um verdadeiro disparate. Disse que se já fosse presidente no começo da guerra Rússia/Ucrânia, teria intervido e a guerra nem teria começado. Antes de assumir o segundo mandato, jurava que o seu primeiro ato seria acabar com essa maldita guerra. Um vexame: já vai com mais de um ano de mandato, e a guerra continua. Cadê o "homem?!"... Em 18/08/2025, discursando na Casa Branca para líderes europeus, afirmou: "Eu acabei com seis guerras... Fiz todos os acordos sem nem tocar no termo: cessar-fogo". Em 23/09/2025, discursando pela primeira vez na ONU, disse com toda empáfia: "Acabei com sete guerras". Em 25/02/2026, na madrugada de hoje, assegurou ter acabado com "oito guerras". A guerra de Israel somente acabou (?) no seu mandato porque Netanyahu prorrogou o fim oficial, a fim de não deixar os louros para o então presidente Jimmy Carter (Democrata). Para finalizar, acrescentemos que, das inventadas guerras que Trump acabou, algumas duraram pouquíssimos dias (embora as tensões venham de longa data). Além do mais, não está claro se os eventuais acordos de paz têm prazo longo de validade. "O homem que diz 'sou', não é!". E é desse tipo de homem que a extrema-direita mais gosta, porque o domestica e, acima de tudo, porque ele mente. God save the lie!
Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 25/02/2026
Alterado em 28/02/2026 Comentários
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