Fernando A Freire

Amar a dois sobre todas as coisas

Textos

DITADORES NÃO PRECISAM DE JUÍZES

 

 

Acho que tudo começou na campanha presidencial - outubro/2018 -, quase um mês depois do golpe da "facada".  Eduardo, filho do então presidenciável (Jair Bolsonaro), em plena campanha eleitoral, durante uma aula preparatória para concurso, em Cascavel (PR), pronunciou a seguinte frase, a princípio para uma sala de aula, mas espalhada, logo depois e propositadamente, em vídeo, para todo o país:

 

"PARA FECHAR O S.T.F., BASTA(m) UM CABO E UM SOLDADO".

 

Ainda sob forte comoção popular - povo solidário e indignado com a "facada" recebida pelo presidenciável -, toda a família Bolsonaro se elege, conforme cuidadosamente planejado e esperado: o pai (presidente) e os filhos - Eduardo e Flávio -, deputado federal (RJ) e senador (SP), respectivamente.   

Segue-se o governo Bolsonaro - 2019/2022 -, com incessante campanha eleitoral pelas redes sociais e inflamados ataques ao Supremo Tribunal Federal, em que o próprio presidente da República descarrega sua ira contra os mais argutos juízes.  Em discursos no Sete de Setembro de 2021, nas manifestações da Independência em SP e perante uma multidão arrebanhada de todos os 27 estados e concentrada em Brasília, o presidente, por certo pressentindo-se ditador, gritou, alto e em bom tom:

 

"NÃO MAIS OBEDECEREI ÀS ORDENS DO S.T.F. ...ALEXANDRE DE MORAES É UM CANALHA".

 

E os ataques perduraram por parte do pai, filhos e adeptos fanatizados, mesmo após o encerramento do mandato do governante agressor.

 

É bastante analisar, não só a lastimável ocorrência do 08/janeiro/2023, mas as desastrosas consequências da fuga de Eduardo Bolsonaro para os Estados Unidos, principalmente no que se refere aos malefícios por ele causados ao Brasil, engajado que está com a extrema-direita daquele país colonizador.  Ficaram marcados na nossa história: um tarifaço de 50% (o mais elevado de todo o mundo) sobre nossas importações e exportações; a aplicação da lei Magnitsky diretamente contra o ministro Alexandre de Moraes (que o clã Bolsonaro escolheu como primeira vítima); negação de vistos de entrada no EUA para autoridades brasileiras, mesmo para participar de congresso patrocinado pela Organização Mundial da Saúde, além de outras aberrações.

 

Analisemos:

 

- O sr. Jair Bolsonaro, velho político já alcançando uns quarenta anos de política, nunca demonstrou apreço pela democracia. Pelo contrário, ainda na década de noventa (século passado), como vereador RJ, disse que se chegasse à presidência daria um golpe, porque, segundo ele, o Brasil nunca mudaria por meio do voto popular (e isso já despertava o interesse dos grandes capitalistas e da extrema-direita no mundo por sua candidatura a presidente - quando oportuno). 

"Só vai mudar - prosseguiu - no dia em que partir para uma guerra civil aqui dentro, fazendo o trabalho que o regime militar não fez, matando logo uns 30 mil"...

 

(Fica aí explicada a razão por que facilitou legalmente e incentivou a aquisição de armas para toda a população durante o seu governo).

Seguem detalhes:

 

- O Supremo Tribunal Federal (S. T. F.) é o guardião de nossa Lei de hierarquia máxima: a Constituição da República Federativa do Brasil. 

Para exercer essa nobre e árdua missão, o S.T.F. precisa ser tão forte e poderoso quanto a própria Lei Magna. No caso, precisa de armadura resistente para encarar a artilharia de eventuais tiranos.

Nada obstante, o que se tem visto, a partir daquela intencional desqualificação em sala de aula (outubro/2018), é um avanço crescente no sentido de provocar, atacar e diminuir o nosso Judiciário.   

 

- Ontem, 14/04/2026, ficou mais do que provada essa investida descomunal contra o S.T.F., mormente contra a democracia:  o relatório final da CPI do Crime Organizado indicia três ministros do S.T.F. mais o Procurador Geral da República como malfeitores, sem apresentar qualquer prova e sem incluir na lista de verdadeiros criminosos os parlamentares envolvidos com milicianos, e até um banqueiro corrupto, estes já indiciados e investigados pela Polícia Federal. 

 

- Em suma: o S.T.F. tornou-se o alvo dos golpistas e adeptos da extrema-direita, i.e., virou a Geni de nossa democracia: “Joga pedra na Geni!”… - vociferam os incautos. Sem dúvida - mais dia, menos dia -, uma pedra maior vai lhe atingir a cabeça. Isso significa que, conforme planejado, um regime ditatorial vem se implantando em nosso país, golpe após golpe, pedra após pedra… Se essa ditadura acontecer nos próximos três anos, evidentemente, terá as bênçãos norte-americanas invocadas pelo sr. Trump, que quer ser tratado como o imperador do mundo.

 

Precisamos entender que toda e qualquer ditadura implantada no nosso planeta, até agora, teve como princípio a derrubada do Judiciário (Suprema Corte) dos países que lhes abriram os portões.  E a extrema-direita, apoiada pelo grande capital, principal beneficiário, já se encontra dentro de nossas casas, em nossos trabalhos, nos ônibus, nas praças, em nossos celulares, sob nossos olhos, zumbindo em nossos ouvidos... Quer o apoio dos mais humildes.

 

Aí, se é que ainda nos manteremos democratas, uma dessas pedras um dia vai rolar inevitavelmente sobre nossas cabeças, e - pior - vai encontrar nossos portões todos escancarados. O que mais tememos é que essa pedra venha a esmagar fatalmente nossas esperanças: nossos filhos, nossos netos, nossos improváveis descendentes.

 

Por que, se não temos nada a ver com isso?...

 

Temos muito as ver, sim! É que as ditaduras não se fazem num só impulso.  Elas, enquanto conquistam adeptos, podem dar um passo atrás, hoje, e não questionam, com o mesmo vigor e suavidade de quem está dançando. Os passos atrás são estratégicos. Significam, hoje, o preparar-se para novos passos à frente, amanhã, bem mais largos e precisos. 

 Acontecendo essa investida, não importa quem seja você, adepto ou não do novo e autoritário sistema de governo. Trata-se de uma ditadura. Nas ditaduras, tanto faz estarmos vivos ou mortos, seremos todos igualmente nada.

 

Reflitamos bem sobre o aqui resumido, caríssimos leitores, e que Deus não nos deixe cair na tentação de ceder e tornarmo-nos controlados, quiçá fanatizados. Evitemos, com firmeza, a angústia de ter que cavar nossa própria sepultura. 

 

Oremos!  

 

  

Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 15/04/2026
Alterado em 26/04/2026


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