

DIREITOS TRABALHISTAS SÃO DEVERES HUMANOS Antes de ter minha carteira profissional assinada, com 17 anos de idade encontrei trabalho como balconista numa drogaria. Meu primeiro “emprego” e motivo de orgulho - claro! - por se tratar da mais procurada dentre as duas boticas concorrentes que havia na minha cidade. Trabalhava onze horas por dia, com intervalo de uma hora para o almoço. Começava às sete da manhã e terminava às sete da noite. Sem janta, saía às pressas para o colégio, chegando sempre atrasado para a primeira aula, que começava exatamente às 19 horas. Tinha direito a duas folgas por mês, domingo sim, domingo não. Durante um ano e meio nessa faina, sem uma falta sequer ao trabalho, ganhava apenas metade de um salário mínimo. Único funcionário da casa: varria, espanava, despachava, empacotava (não havia sacolas de plástico)… Gozo de férias, feriados, licença remunerada por doença, 13º salário…, eu nem sabia o que era isso!!… Ufa!!… Do balcão para dentro não havia lugar para me sentar. Eram onze horas em pé ou subindo escadas para alcançar um produto… Meus patrões - marido e mulher - eram muito atenciosos para comigo e demonstravam gostar do meu trabalho. Ficaram admirados de eu ter decorado nome e localização de todos os medicamentos expostos à venda, logo na primeira semana de trabalho, e me elogiavam quando em conversas com os clientes mais assíduos.
Deixei a drogaria com um ano e meio de trabalho, a convite de um cliente que não concordava com a minha jornada extensa e massacrante. Era o superintendente de uma multinacional de petróleo na mesma cidade portuária. Aceitei o cargo de estivador, embora no dia a dia ele me incumbisse de fazer medição dos derivados de petróleo no sobe e desce dos gigantescos tanques instalados perto do cais do porto. Atraiu-me, acima de tudo, a regalia de trabalhar apenas oito horas por dia e com direito a uma folga todos os domingos ou feriados. Sobrava-me tempo para os estudos. Somente aí me dei conta de que, na drogaria, fui uma das vítimas do trabalho escravo, muito comum à época. Sujeição que deveria estar, há muito tempo, “fora do alcance das crianças”!… Agora, mais de meio século passado, angustiam-me, sim, as inverdades dos norte-americanos acerca da prática comum de trabalho escravo no Brasil. Onde, em meu país, hoje, alguém se submete a tal sacrifício? O Ministério do Trabalho está atento e funcionando a todo vapor, com seus fiscais do trabalho espalhados na grande parte dos recantos e rincões do território nacional. Estarão os EUA focados naquelas filmagens absurdas de décadas atrás, que mostravam a ganância de quem se entregava dia e noite, sem patrão e sem qualquer proteção, à busca de ouro nas terras indígenas de Serra Pelada?!… E pra onde foi carreado o maior volume daquele metal contrabandeado?!… Tenho a sensação de que os EUA aproveitaram o máximo desse tipo de trabalho escravo voluntário - calados estavam, calados ficaram -, mas que só agora, visando interferir na campanha eleitoral, resolvem alarmar. “Stop, yankees!”. Por sinal, só para ilustrar e alertar os brasileiros, lembro que, em 2024/2025, a Romênia anulou suas eleições por apenas vislumbrar a interferência russa no pleito. Soberania é soberania!… Onde, não só os norte-americanos, mas o mundo inteiro, deveriam interferir? Quem sabe, ali mais ao Sul, bem pertinho de nós!… Os Estados Unidos veem um argueiro nos olhos brasileiros, mas não veem (ou fazem que não veem) a trave nos olhos dos “seus” países vassalos. Refiro-me à vizinha Argentina que, sentindo-se, política e ideologicamente, imune ao intervencionismo da extrema-direita norte-americana, acaba de violar direitos trabalhistas adquiridos - pé ante pé - desde os idos de 1970. Enquanto o Brasil cuida de alterar a escala de trabalho de 6×1 para 5×2, que propicia aos empregados 40 horas semanais de trabalho com dois dias de folga por semana, a Argentina faz uma reforma trabalhista, ao meu ver, às avessas. Neste ano de 2026, o governo argentino (Milei) apresentou e aprovou na Câmara uma reforma trabalhista, acabando com muitas conquistas alcançadas pelos trabalhadores desde o ano de 1970, tais como: a) aumento da jornada semanal de trabalho para 48 horas, expandindo-a para 12 horas por dia (com 12 de descanso), a critério do empregador; b) horas extras (antes remuneradas) passaram a ser compensadas com igual quantidade de horas de descanso; c) férias fracionadas e não mais de gozo contínuo, a critério do empregador; d) trabalhadores com licença médica por doença grave passaram a receber apenas a metade do seus salários; e) exclusão do 13º salário, bônus e férias nos cálculos de demissões sem justa causa; f) limitação do direito de greves; g) enfraquecimento do poder sindical; h) pressão para redução de salários com adoção de “salário dinâmico” em alguns setores (apenas quando se confirmar a presença de insalubridade, por exemplo). Especialistas deixam claro que essa reforma vai na contramão do que vem sendo adotado pelo México e Brasil em favor da classe trabalhadora. Fica evidente que a Argentina é o único país da América Latina que vem cortejando com o trabalho escravo oficializado. E os Estados Unidos fecham os olhos e apontam para o Brasil como se fosse um país grande infrator das leis trabalhistas. São parciais em suas intromissões, obviamente, por razões políticas e ideológicas, de vez que Milei, subserviente ao extremo, vem tomando medidas em favor dos yankees que envergonham sobremaneira aos que lutam pela soberania dos seus países. Servilismo, entreguismo e intervencionismo, não! Os EUA acatam as queixas da extrema-direita brasileira, que esteve prestes a reimplantar o sistema ditatorial, de triste memória, que nos aterrorizou e nos dominou por muitos anos. Rechaçamo-lo com a nossa única arma: a Democracia. Muitos, inclusive militares, estão pagando as suas penas. Mesmo sujeitos a punições idênticas, ainda há os que se atrevem a trair a pátria, fazendo lamentações e sugestões em inglês, para que o Brasil seja punido econômica e financeiramente. Como o Brasil deverá punir ou, ao menos, classificar os que assim procedem?… Traições, sejam quais forem, não têm sinônimos, são traições. Há setenta anos, os EUA puniram com a cadeira elétrica os Rosenberg, marido e mulher, considerados, segundo suas leis, traidores da pátria. Os últimos traidores até agora. Que sugestão os EUA nos dão para punir os que vêm traindo a nossa pátria com informações sigilosas, mentirosas e injuriosas levadas ao conhecimento dos seus justiceiros?… Por mais leve que seja o veredicto contra esses traidores, sabemos que vão apelar para o Conselho Nacional dos Direitos Humanos, por sinal, órgão que eles toda a vida desqualificaram. Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 06/06/2026
Alterado em 09/06/2026 Comentários
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