Fernando A Freire

Amar a dois sobre todas as coisas

Textos

A COPA DA KU KLUX KLAN

A Copa do Fim do Mundo ou o Fim da Copa do Mundo, tanto faz, se quisermos designar o estado de letargia em que mergulha, agora, o grande evento futebolístico da humanidade.

Nos velhos tempos, até o ano 2022, aguardávamos a cada quatro anos, ansiosamente, a maior de todas as disputas esportivas mundiais, caracterizada pela alegria, solidariedade e fraternidade entre todas as nações. Pintávamos os nossos muros e o chão de nossa ruas, que ainda eram enfeitadas com bandeirolas alusivas à Copa. Criávamos e cantávamos, em uníssono, as músicas motivacionais que levantavam o astral até dos não apaixonados pelo esporte. Canções de incentivo que ficaram grudadas em nossas mentes: “Pra frente, Brasil!… Salve a Seleção!”… “De gol em gol!… E o nosso orgulho explodia no momento do gol esperado. Ah, quanta saudade!!…

Este ano é diferente. Realiza-se uma Copa, creio que a última de todas as Copas, que não vai deixar um pingo de saudade. O que era solidariedade virou arbítrio. O que era imparcialidade virou seletividade. O que era democracia virou autoritarismo. O que era alegria virou apatia. Até as divertidas e ensurdecedoras vuvuzelas viraram mordaças… Os estádios norte-americanos estarão lotados, porém a metade ocupada por soldados armados (plainclothes soldiers)… Aí, no momento do GOL, muitos torcedores escutarão: “GO home!”… A humanidade jamais ouvirá dos estados unidos a expressão: “Welcome everyone”… Porque em cada gesto dos habitantes do “paraíso do mundo” nos depararemos com o preconceito, o ódio, a discriminação, a intolerância, o racismo e a perseguição oficializada.

Está aí a última das Copas do Mundo a nos alertar.

Nunca foi assim, quando realizada em qualquer outro país do planeta. Não foi assim sequer na Rússia, em 2018, em que a França se sobressaiu no torneio. Usei o advérbio de intensidade “sequer” propositadamente, porque a Rússia sempre foi acusada de discriminação ideológica pelos próprios estados unidos.

Assistimos agora a:

  • Um juiz de futebol, dentre os melhores escolhidos pela FIFA, não entrar nos estados unidos por ser natural da Somália. Ou por ser negro - vamos ser sinceros!?... A FIFA, por demais subserviente, nada tem a alegar em defesa do seu escolhido; obriga-se tão somente a não permitir que o senhor Omar Artan, por ser somali, participe desta Copa. Isto no exato momento depois de o competente juiz submeter-se a um interrogatório de 11 horas, ao tentar adentrar nos estados unidos para exercer a sua missão. E, ao ser expulso, ainda ter que ouvir termos racistas, humilhantes e indecorosos, tais como: “lixo, sujo, imundo”… - “Espelho, espelho meu, haverá no mundo algum julgador tão lixo, sujo e imundo do que eu?”…

  • Enquanto no México os atletas de cada país, dos que lá vão se apresentar, são recebidos com festas a partir da pista de pouso do aeroporto, os estados unidos revistam os atletas do Senegal e Uzbequistão durante 17 horas, rendendo-os logo na descida do avião: todos de mãos para cima, como se bandidos fossem. E mais: tiveram que tirar os sapatos e ficar bastante tempo em pé, no piso quente de um sol escaldante. Puxa vida, yankees, só vocês não conseguem ver que na América Latina o tratamento dado aos seres humanos é outra coisa!… Pelo visto, essa Copa vai ficar marcada na história como sendo a Copa da Ku Klux Klan.

  • Iranianos e iraquianos participarão apenas com as suas equipes, porém não com as torcidas, impedidas. Outra coisa: estão hospedados no México, de onde terão que se deslocar para jogar nos estados unidos em prolongados voos, ida e volta. Considero isso uma humilhação sem precedentes, quando se trata da Copa do Mundo (como assim chamávamos).

Os escândalos, fundamentados no preconceito, no ódio, no racismo e em qualquer outro tipo de discriminação, são tantos, que a disputa dessa Copa assume o formato de guerra mundial. Vale dizer que a guerra (geradora de lucros para os acionistas das grandes empresas fabricantes de armamento bélico) é o acontecimento que mais excita o sr. Trump e sua trupe, que ambicionam assumir o comando geral do planeta, isto é: sonham, com sua arrogância, arma em punho e mentiras escabrosas, ser um dia os deuses da verdade - A CAPA DO MUNDO.

Assim agindo, Trump e seus asseclas super milionários - tudo premeditado - conseguirão acabar com a animação e o entusiasmo de toda a humanidade, pois que, malevolamente, transformarão a nossa velha e andante Copa do Mundo numa Copa Disney, que ficará implantada e aberta à visitação unicamente no “paraíso do mundo”.

Uma pena!

Somos todos vítimas de ególatras que visam dominar e demonizar nosso planeta.

Pena maior é que aproveito o ensejo para avisar aos meus amigos convidados que não haverá mais aquele churrasquinho, nem cerveja, nem TV em minha casa. Contentar-me-ei em acender algumas velinhas em homenagem e memória de nossa terminal festa futebolística quadrienal.

Resta-nos, ao menos, esse adeus à nossa moribunda Copa do Mundo!

Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 10/06/2026
Alterado em 15/06/2026


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