Fernando A Freire

Amar a dois sobre todas as coisas

Textos

HENRY KISSINGER: "MALDITOS BRASILEIROS"

“Não permitiremos um novo Japão ao sul do Equador” (Henry Kissinger);

“O Brasil me comove. O Brasil me faz rir e me faz chorar. O Brasil me buleversa os sentidos. Malditos brasileiros!” (H.Kissinger)

- Bouleverser = abalar, em português.

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Apesar de ter sofrido os revezes de bombas atômicas despejadas sobre Iroshima e Nagasaki, o Japão foi dos primeiros países a desenvolver-se no pós-guerra mundial, em decorrência do seu forte investimento em educação, ciência e tecnologia (da mesma forma como tentamos fazer ao sul do Equador, aos trancos e barrancos, e somos barrados por decisões arbitrárias dos EUA). Por consequência, e para desespero dos Estados Unidos, o Japão cresceu em todos os setores da economia.

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Na interpretação de Milton Severiano (Revista “Caros Amigos” de maio/2002, artigo revisado em 16/03/2024), as expressões acima trazem o seguinte infeliz significado:

“Não permitiremos que o Brasil se transforme em potência mundial”.

Henry Kissinger (27/05/1923 - 29/11/2023), filho de imigrantes judeus alemães, exerceu os cargos de Secretário de Estado e Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos nos governos de Richard Nixon e Gerald Ford, posição que hoje se identifica com a do Secretário de Estado Marco Rubio, filho de imigrantes cubanos.

Em sua trajetória, com o avanço das forças norte-americanas na Alemanha, Kissinger começou assumindo o comando administrativo da cidade alemã Krefeld (à falta de comunicadores - em alemão - junto aos militares norte-americanos).

Participou, em seguida, do Comando de Contra-Inteligência, onde rastreou oficiais da Gestapo e funcionários da região BergstraBe, resultando sua ação na prisão de 12 dos procurados, que, julgados pelo Tribunal Militar, foram condenados à forca.

Logo no pós-guerra (1946), Kissinger lecionou na Escola Europeia de Inteligência do Comando Camp King (defesa antiacadêmica da cultura popular). Doutorou-se em Havard (1954).

Como Secretário de Estado teve grande influência na fase ditatorial da Argentina (1976/1983), denominada Processo de Reorganização Nacional, marcado por indiscriminadas cenas de violência, tais como: perseguição, tortura, terrorismo de estado, mortes e desaparecimentos forçados (inúmeros casos de pessoas jogadas ao mar, vivas, e manietadas com algemas de gesso). As grandes vítimas desse processo foram aqueles que, contraditoriamente, os EUA classificavam como “inimigos da democracia”: ativistas de esquerda e simpatizantes (nada muda), sindicalistas, estudantes, jornalistas, marxistas, guerrilheiros peronistas… Estima-se o saldo alarmante de 50 mil mortos, 30 mil desaparecidos e 400 mil prisioneiros. Para estimular essa forma desumana de repressão aos que lutavam pela volta da democracia, Kissinger dirigiu-se ao ditador argentino com a seguinte expressão:

  • “Se há coisas que precisam ser feitas, vocês devem fazê-las rapidamente”.

Kissinger teve intensa atividade diplomática com a China, União Soviética, África e Vietnã (o que lhe valeu, paradoxalmente, o Prêmio Nobel da Paz, em 1973). Figura polêmica e ambígua, a história o acusa como responsável por hediondos crimes de guerra. Só para exemplificar: provocou a invasão indonésia do Timor-Leste (1975, sob o pretexto de anticolonialismo e anticomunismo), assim como, pelos mesmos pretextos, incitou golpes de estado, com repressão, no Chile, Uruguai e Camboja. Um impiedoso golpista e genocida à distância.

Terrorismo de estado foi a parte principal da Operação Condor, patrocinada pelos EUA (sob a coordenação de Kissinger) e com atuação do FBI e CIA. Atuou nos seis países da América do Sul onde se implantaram regimes ditatoriais-militares, inclusive no Brasil, nas décadas de 1960/70. À época, a comunicação entre esses países era feita via Fax. Um dos seus atos sigilosos, caracterizado como terrorismo de estado, foi a troca permanente, entre as ditaduras vizinhas, de “subversivos” marcados para morrer, cujos nomes ainda restam, quase apagados, nas extensas listas de “Desaparecidos”. Enquanto isso, denotava-se uma atmosfera enganosa de muita paz nos países de origem dos condenados. Um “Lavabo manibus meam” para os ditadores que se livravam dos seus “subversivos”. Destacaram-se, na Operação Condor, os ditadores: Jorge Rafael Videla (Argentina) e Augusto José Ramón Pinochet Ugarte (que governou o Chile de 1973 a 1990).

As ditaduras-militares da extrema-direita, assim como começaram a partir da década de 1960, cessaram todas na década de 1980. Todas seguiam a mesma cartilha do Tio Sam.

As ordens de comando que, com o fim das ditaduras militares, pareciam haver cessado, inclusive a de que não ousássemos alcançar o pódio de potência mundial, continuam vindo do alto, do hemisfério Norte, às vezes com tarifaços exorbitantes, às vezes com interferências sub-reptícias, abusivas e impositivas nas eleições democráticas do hemisfério Sul.

Henry Kissinger (in memoriam) e Marco Rubio cumprem uma antiga missão dominadora.

Um é a continuação do outro: cabeça, tronco, membros, falsos argumentos e armamentos. “Os iguais facilmente se juntam” (Dizia Cícero, 300 antes de Cristo).

Mesmo diante de tanta barbárie, peçamos a Deus para lhes conceder o perdão e nos livrar de uma nova colonização.

Cabe-nos escolher:

“Independência ou Norte!”…

(fernandoafreire.net)

Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 01/08/2026
Alterado em 04/08/2026


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