

BOLSA FAMÍLIA E A ABOLIÇÃO A libertação dos escravos nos Estados Unidos aconteceu em 1863. O presidente Abraham Lincoln decretou que os donos de escravos os indenizassem com TERRA, GADO e NUMERÁRIO. Dia seguinte, todos os ex-escravos eram respeitados como cidadãos norte-americanos. A abolição dos escravos no Brasil não aconteceu, ou não aconteceu assim. Os escravos nem sabiam o significado da palavra LIBERDADE. Também não a desfrutaram. Foram desumanamente expulsos das fazendas ou engenhos onde trabalhavam. Seus donos temiam que o Império exigisse que os escravos em atividade fossem indenizados. Contrariamente ao que aconteceu nos EUA, passaram a exigir do Império indenização de todos os escravos que haviam comprado. Quais pedintes, os escravos foram simplesmente atirados ao léu, mão de obra que logo passou a ser substituída por imigrantes europeus. Apenas as escravas que já trabalhavam nas Casas Grandes - conhecidas como peniqueiras - foram poupadas. Em 01/05/1943, Getúlio Vargas promulga a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), considerando invisíveis as domésticas e os pequenos agricultores (sem terra). Somente em 2012, as domésticas passaram a assinar contrato de trabalho. A partir de 2003, os governantes (somente os da Esquerda) passaram a enxergar que, na verdade, nenhuma indenização havia sido paga aos semiescravos afro-brasileiros, ainda pejorativamente denominados “passa fomes”, “retirantes” e “paus de arara”. Eram os semiescravos que desciam do sertão ao litoral pedindo “Uma esmolinha pelo amor de Deus!” como chance única de sobrevivência. “Uma coisa é passar fome. Outra coisa é saber a razão por que alguém passa fome”. A partir de 2004, mesmo na contramão dos descendentes de escravistas, que constituíam a Direita brasileira, teve início o pagamento do Auxílio que, tão logo aprovado como “Programa Bolsa Família” pelo Congresso, tornou-se uma obrigação legal de todos os governos. Analisada a história da escravidão em nosso país, é de se deduzir que, bem ou mal, o “Programa Bolsa Família” passou a valer como uma indenização que foi negada no tempo devido aos ex-escravos, sem data prevista para a sua interrupção (Salvo se, sorrateiramente, algum governo mal intencionado chegue a propor a mudança de “Programa” para “Auxílio”). “Auxílio é uma esmola que pode ser dada ou negada”. Hoje, 17/setembro/2026, o Presidente da República decidiu conceder reajuste de 15% sobre o valor básico do “Programa Bolsa Família”, o que implica elevá-lo dos atuais R$ 600,00 (em vigor desde março/2023) para R$ 691,00 (a partir de 19/outubro/2026). Referido reajuste corresponde a um gasto fiscal adicional de R$ 86 bilhões, não previstos no Orçamento da União para 2027. O Ministro da Economia nos garante que encontrou uma brecha para a inserção desse reajuste. Vale lembrar que, em outubro/2022, também se catou uma brecha para a retirada dos R$ 80 bilhões doados aos caminhoneiros e taxistas de todo o país. Se é para diminuir a distância social entre os brasileiros mais ricos e os mais pobres, eu bato palmas. Foi assim, de grão em grão, que pulamos de primeiro país mais desigual (socialmente) do mundo para o 5º lugar no ranking internacional (190 países mais 25 territórios). Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 17/09/2026
Alterado em 17/09/2026 Comentários
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