

ALGODÃO DOCE OU SORVETE EM CASQUINHA? (2)
Pardais e sabiás, em inocentes charabiás, voaram juntos rumo a uma nuvem passageira que o vento assoprava pertinho do céu. Lá, lambuzaram-se, como se mergulhassem na suavidade de um amplo favo de mel. Porém, parecia ter sabores desiguais a nuvenzinha. Para as sabiás, um gostinho de algodão doce; para os pardais, delicioso sorvete em casquinha. Nesse meio tempo, enquanto os passarinhos manjavam e se fartavam no celestial banquete de algodão doce misturado com sorvete, a nuvenzinha anfitriã foi se desfazendo naquela manhã gelada, e se dissolvendo, a cada gole dos pardais e dos sabiás. “Aonde vais?… - Perguntavam os visitantes - Fica só mais um instante, só um pouquinho mais!”. Carinhosamente, a nuvenzinha ficava e, resistindo ao medo do Sol crescente, se encolhia e cada vez mais se contraía… E a razão? Nem o pardal, nem o sabiá, sabiam. Repentinamente, uma acinzentada tempestade se agiganta e da nuvenzinha se aproxima, cheia de apetite: “Gostosa!”… - Como diriam os gulosos passarinhos. Ela, já pequeninha, seria arrastada e brutalmente consumida. Cautelosamente, sabendo que teria vida curta, a nuvenzinha se prepara para a despedida. Ela sabia que já se dissolvia a cada gole dos seus visitantes. Logo, hábil voadora, amorosa e acolhedora, sentiu que sua forma e coloração já não se via. Sendo assim, tudo mudou, e, nesse ínterim, a nuvenzinha num belo passarinho transformou-se. Aí, a história do algodão doce se findou. Sorvete em casquinha, agora, só se for na nuvem vizinha. Então, "Acabou-se o que era doce". _______________________________ (*) Charabiá = conversa fiada. Fernando A Freire
Enviado por Fernando A Freire em 13/10/2026
Alterado em 13/10/2026 Comentários
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